terça-feira, 5 de agosto de 2008

Personalidade Negra Catarinense - II

A pesonalidade negra dessa semana é Demerval Cordeiro. Membro da antiga Força Pública (atual Polícia Militar de SC), descatou-se, em sua carreira militar, por ser brilhante orador. No campo intelectual, compôs a equipe de pesquisa e redação sobre o centenário da Força Pública, no ano de 1936, juntamente com o militar Ildefonso Juvenal. Sua preocupação com a preservação da história militar catarinense levaram-o a escrever um opúsculo sobre a fundação do corpo de bombeiros em 1952. Fica aqui mais uma dica de pesquisa e fonte sobre a histórica negra de Florianópolis. Até a próxima semana!

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Caso vivesse Cruz e Sousa

Olá!
O assunto cotas continua em alta. Agora é a vez da UDESC (Universidade Estadual de Santa Catarina), realizar o seu sistema de ação afirmativa. No entanto, algumas pessoas ainda desconhecem o funcionamento deste tipo de política pública e acabam ficando contra estas ações. O texto abaixo visa indagar o leitor acerca de seu conhecimento sobre a (afro) história catarinense. Muitos admiram o poeta Cruz e Sousa, mas caso ele estivesse vivo e defendesse o sistema de cotas, seria ele tão elogiado? O texto também pode ser lido no site: www.agecom.ufsc.br/downloads/Jornal_Universitario_UFSC_n388_032008.pdf e no link do jornal An Notícias: www.an.com.br/2008/fev/04/0opi.jsp. Boa leitura!




Em meio aos debates pró e contra o sistema de cotas e a aplicação da história da África na UFSC, aliados ao projeto de mudança do hino de Santa Catarina, lembramos de alguns fatos históricos protagonizados pelos intelectuais negros em Santa Catarina.
No caso do poeta Cruz e Sousa, seu mérito intelectual pouco foi reconhecido neste Estado. O poeta de "Missais" lutou contra a escravidão e o preconceito racial, atraindo em vida a inveja e as intrigas de seus opositores; Ildefonso Juvenal, por sua vez, ao lutar contra o racismo de sua época, ajudou a construir cursos de alfabetização, associações negras, jornais literários e até um centro de letras, devido ao impedimento de se ter negros na Academia Catarinense de Letras; no ano de 1918, no município de Lages,
era criado o Centro Cívico e Recreativo Cruz e Sousa; em 1920, em Itajaí, fundou-se o Clube de Regatas Cruz e Sousa; em 1915, em Florianópolis, criou-se a Associação dos Homens de Cor. Em todas estas ações buscou-se um único objetivo: lutar contra as
diversas formas do racismo brasileiro. Lá se vão mais de 90 anos de luta!
Ao se polemizar o sistema de cotas para negros nas universidades, devia-se polemizar também a morte de cada jovem negro pela falta de oportunidades, pelos grupos de extermínio, pela fome ou pelo único fato de terem a cor da pele negra. Vamos polemizar a falta de expectativa social. Se o sistema de cotas incomoda, agride-nos muito mais saber que 46% da população brasileira, por serem negros, não participam dos postos de comando deste País. Não nascemos para ser caso de polícia nem tampouco assistir a tudo de panelas à mão.
Perguntar não ofende: os leitores e admiradores de Cruz e Sousa iriam apoiá-lo caso defendesse os interesses da população negra nos dias de hoje?

Fábio Garcia
Historiador, educador e militante do Movimento Negro

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Antonieta de Barros

Retirado de www.acordacultura.org.br

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Personalidades Negras Catarinenses

Personalidade negra é o novo quadro semanal do afromemorias. Começamos apresentando o intelectual Ildefonso Juvenal da Silva, nascido em Florianópolis em 10 de abril de 1894, formou-se em Farmácia pelo, já extinto, Instituto Politécnico de Santa Catarina em 1924. Membro da Força Pública (atual Polícia Militar) chegou patente de Major. Aos 71 anos veio a falecer, em 09 de março de 1965. Sua extensa produção literária ainda aguarda maior valorização e reconhecimento por parte de governantes e estudiosos. Para os estudantes de ensino fundamental e médio fica aqui uma ótima dica de estudo sobre o passado da população negra em Florianópolis (para saber mais leia o livro: Negras pretensões). Aos turistas que visitam o litoral catarinense não deixem de conhecer os feitos desta personalidade histórica.


Abaixo algumas de suas principais contribuições:

Livros publicados:
Contos Singelos. Florianópolis: Ed. do autor, 1914.
Páginas Simples. Florianópolis: Tipografia do povo, 1916.
Florianópolis. Florianópolis: Ed. do autor, 1916.
Questão de limites: Paraná e Santa Catarina. Florianópolis, Ed. do autor, 1916.
Painéis. Florianópolis: ed. A Phenix, 1918.
Relevo. Florianópolis: Livraria Cisne, 1919.
Nestor Vitor e Cruz e Souza. Florianópolis: Ed. do autor, 1923.
Páginas Singelas. Florianópolis: Folha Nova, 1929.
Força Pública do Estado de Santa Catarina (1835-1935). Florianópolis: edição comemorativa de centenário da Força Pública, 1934.
Conferência sobre Higiene. Florianópolis: ed. Oficial, 1935.
Contos de Natal. Florianópolis: ed. do autor, 1939.
Teatro: obras completas. Florianópolis: ed. do autor, 1942.
Laguna Engrandecedora da História Catarinense. Florianópolis: ed. do autor, 1944.
Ensinado a Ensinar Errado. Florianópolis: ed. do autor 1946.
Lages e o seu desenvolvimento cultural: palestra realizada no salão nobre do Instituto de educação de Lajes. Florianópolis: ed. autor, fevereiro de 1947.
Eduardo Dias: o mágico do pincel. Florianópolis: ed. do autor, 1948.
Contos de Natal: revisado e ampliado. Florianópolis: ed. do autor 1952.

Outras atividades:
Compõe a Associação dos Homens de Cor, promove atividade cívico-literária sobre o 13 de maio, em 1915;
Editor do jornal literário Folha Rosea, no ano de 1915;
Em 1918, auxilia na alfabetização dos praças na Força Pública, exercendo patente de Sargento Ajudante na Escola Regimental Marechal Guilherme;
Fundador do Centro Cívico Recreativo José Boiteux, em 1920;
Professor da Escola Noturna Cruz e Souza (Centro Cívico e Recreativo José Boiteux), em 1920;
Ingressa no Instituto Politécnico Farmacêutico de Florianópolis, em 1921;

No ano de 1923, é nomeado 2º Tenente da corporação (Força Publica);
É um dos fundadores do Centro Catarinense de Letras, em 1925;
Em 1926, é posto a disposição do comando geral da Força Pública, para ficar responsável pela farmácia geral da corporação;
Sócio efetivo dos Instituto de História e Geografia de Santa Catarina, em 1941;
Sócio efetivo do Instituto de História e Geografia de Santos (SP). Membro correspondente da academia Rio–Grandense de letras e do Centro de Letras do Paraná (s/d);
Em 1948, compôs a subcomissão de Folclore do Estado de Santa Catarina;
Redator de diversos jornais da capital;
Diretor da Biblioteca Municipal de Florianópolis.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Livro: Negras Pretensões


O livro Negras Pretensões - a presença de intelectuais, músicos e poetas negros nos jornais de Florianópolis e Tijucas no início do século XX, resultado de trabalho de conclusão de curso em História na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), apresentado em julho de 2006.
Na publicação, Garcia relata a participação intensa de três intelectuais negros, Ildefonso Juvenal (1894-1965), Trajano Margarida (1889-1946) e João Rosa Júnior (1882-1932) na vida cultural de Santa Catarina, especialmente em Florianópolis e Tijucas em 1915. Naquele ano, Juvenal e Margarida criaram o jornal literário Folha Rosea, espaço em que eles veiculavam artigos, críticas, poesias, composições e peças teatrais. No mesmo ano, os três intelectuais fundaram a Associação dos Homens de Cor, marco na denúncia contra o preconceito racial da época. Os três personagens são pouco citados na historiografia tradicional catarinense, fato que aguçou ainda mais a curiosidade do pesquisador. "Pretendi mostrar, com este trabalho, que a população negra, ao contrário do que se afirmava, não ficou à margem do sistema formal de ensino e contribuiu significativamente para a cultura do início do século XX", comenta Fábio Garcia, 28 anos. Outro fato importante é que a pesquisa extrapola alguns estereótipos como a de que a história dos negros no Brasil é vinculada somente à escravidão. "Houve outros campos de atuação e, em Florianópolis, por exemplo, havia um movimento bastante intenso fomentado pela população negra", comenta. Um exemplo é o de João Rosa Júnior. Hábil maestro e compositor, autor da famosa polca "Daí a César o que é de César", Rosa dá nome a um centro cultural no município de Palhoça, coordenado por seusdescendentes.Para o autor, outros negros fizeram história em Florianópolis além de figuras-símbolo como o poeta simbolista Cruz e Sousa (1861-1898) e da jornalista e escritora Antonieta de Barros (1901-1952), primeira deputada estadual negra de Santa Catarina. "A partir de Juvenal, Margarida e João Rosa Júnior, outros nomes vão surgindo, como Epaminondas de Carvalho, Astrogildo Campos e Agrícola Guimarães, só para citar alguns", explica Garcia. Outra contribuição importante é possibilitar que o livro sirva como material para professores na disciplina de história e cultura afro-brasileira e africana, incluída nos currículos no ensino fundamental e médio com a criação da lei 10.639/2003.

COMO ENCONTRAR:

O livro custa R$ 20,00 + envio - pedidos pelo e-mail: fabiogarciahistoria@gmail.com