segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Camisetas de São Jorge



As belas modelos, Fabiane e Dandar, trazem as novas camisetas e baby loock de São Jorge.

Cores: Branco, Preto e vermelho

Tamanhos: P, M, G e GG

Pedidos pelo blog, orkut ou por email (fabiogarciahistoria@hotmail.com)

Intelectuais Negros

Saiu a edição nº10 da revista História Catarina, nela publicamos artigo sobre os intelectuais Ildefonso Juvenal, Antonieta de Barros, Trajano Margarida e João Rosa Júnior. Vale a pena conferir.
Abraços,
Fábio

A venda na livraria livros & livros (centro e UFSC).

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Consciência Negra

O texto abaixo foi publicado no jornal Notíciais do Dia em 20 de novembro de 2008.


Neste dia, rememoramos os feitos de Zumbi dos Palmares, morto no dia 20 de novembro de 1695, como o dia nacional da consciência negra. À frente de 20 mil habitantes, Zumbi lutou em prol da liberdade de sua população numa epopéia afro-brasileira contra a escravidão que durou mais de cem anos. Devido a sua bravura e perseverança seu nome encontra-se gravado no livro de ouro do Planalto Central como herói nacional.

As homenagens feitas a Zumbi começaram no ano de 1971, organizado por um grupo de militantes negros gaúchos preocupados em tornar o negro sujeito de sua história, em contraposição ao dia 13 de maio que era visto como uma data oficial e com pouco enfoque na trajetória de resistência empreendida pelos negros no combate ao antigo regime.

Finda a escravidão novos dilemas raciais impossibilitaram ao negro o acesso aos mecanismos de empoderamento econômico e cultural. Diversas práticas segregacionistas e de exploração econômica continuaram a existir ao longo do século XX. No cotidiano das relações domésticas as empregadas somente viram seus direitos trabalhistas revistos em 2006. Os trabalhadores rurais mantidos em regime de escravidão foram assistidos pelo Estado a partir de 1995. O aliciamento de mulheres e crianças à prostituição ainda co-existe aos direitos internacionais em defesa da integridade humana. Ao pesarmos o dia 20, como dia da consciência negra, estamos também propondo reflexões e ações no sentido de se combater todas estas formas de discriminação e desigualdades sociais.

Zumbi, cujo significo é “aquele que não morre”, deve inspirar os corações de cada militante ou simpatizante da luta anti-racista na promoção de uma sociedade mais igualitária.

domingo, 16 de novembro de 2008

Olá a todos(as)!

Trazemos abaixo a reflexão precisa do professor Henrique Cunha Júnior, militante e intelectual negro, acerca da participação do Estado brasileiro na manutenção das desigualdades sócio-raciais.

Abolição inacabada e a educação dos afrodescendentes
Henrique Cunha Júnior

O dever histórico ou o devir histórico.
Estamos em meio às comemorações dos 120 anos de abolição do escravismo criminoso no Brasil. O tema foi pautado pelos movimentos sociais afrodescendentes como “120 anos de abolição inacabada”. A abolição foi um processo que deveria ter produzido uma revolução social e modificado de forma substancial a vida dos ex-escravizados, mas foi freada e ficou inacabada quando as políticas sociais em favor dos afrodescendentes.
Nós também estamos com uma década de lidas e batalhas profundas para aprovação e implementação da Lei 10.639/03 sobre a história e a cultura de africanos e afrodescendentes na educação brasileira. Lei que resulta de um intenso conflito de opiniões entre o estado brasileiro e o movimento negro, e finalmente se inscreve como mais uma das conquistas desta militância. As disputas entre o estado brasileiro e o movimento social negro tiveram maior amplitude desde a Marcha Zumbi 300 anos, realizada em novembro de 1995 em Brasília, ocasião na qual se reuniram mais de 20.000 (vinte mil) ativistas, segundo nota do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal em apenas um dia de protesto. Dia este que a imprensa nacional fez por ignorar, como forma de ofuscar a importância do ato e de minimizar a sua importância política.
A Lei 10.639/03 foi promulgada em janeiro de 2003, produzindo a alteração da Lei de Diretrizes e Bases da Educação. Até o presente a Lei não foi implementada de maneira condigna nos sistemas municipais e estaduais de educação. Tampouco obteve a devida atenção pelos programas de formação de professores e de graduação das universidades. As universidades brasileiras, de modo geral, praticamente ignoram a Lei, não movendo ações para dar suporte a sua implantação. Temos também por estes motivos, um processo educacional iniciado, mas ainda inconcluso.
Assim, temos dois eixos de reflexão neste texto sobre a história da educação dos afrodescendentes: “Os 120 anos de abolição inacabada e os 10 anos de projeto de reforma educacional para os afrodescendentes inconclusa”. Pretendemos mostrar as formulações dos movimentos negros sobre a abolição e sobre a Lei 10.639/03 e discutir o conservadorismo da sociedade brasileira em relação aos temas de interesse da população afrodescendente.
Quer saber mais?
Então acesse: www.espacoacademico.com.br/089/89cunhajr.htm
e leia o texto na integra.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Afromemoria - A nossa mira

Em 15 de novembro de 1915, surgia a revista literária Folha Rosea, em Florianópolis, de propriedade de Ildefonso Juvenal e João Melchiades. Espaço destinado aos poetas considerados "novos", era uma resposta aos poetas parnasianos da época. Sua duração, no entanto, foi efêmera e em menos de seis meses as portas da redação já estavam fechadas. Acham-se na biblioteca municipal de Florianópolis os três primeiros números da revista. Sua importância histórica deve-se ao fato de ter sido um instrumento de reivindicação e contestação aos literários que se julgavam "donos" das letras catarinenses. Segue abaixo, a forte crítica de Ildefonso Juvenal aos que viam com menosprezo o surgimento da Folha Rosea.


A nossa mira

Surge hoje entre risos e festas, a modesta revista “Folha Rosea”.
O que pretendemos fazer? Perguntarão todos, cheios de curiosidade. O que pretendemos fazer: é unicamente pugnar pelos interesses dos “Novos”; facilitando-lhes meios de desenvolver as suas idéias.
Sim, porque até então, eles têm sido uns mártires. Ora o grupo dos “beletristas” a tirar-lhes o mérito; ora parte da imprensa a ridicularizar as suas produções.
Enquanto a mocidade paranaense associa-se, para unidos desenvolverem a literatura no seu Estado, a nossa mocidade desunida, uma parte deixa-se ficar imóvel; outra vive quer nos cafés, quer nos jardins, nos bondes, a ridicularizar as produções dos principiantes.
O saber é privilégio de meia dúzia de rapazes que nasceram sábios, tornaram-se imortais, e hão de voar amanhã em aeroplanos às regiões Parnasianas....
Mas os “Novos” erguem-se hoje, e a Folha Rosea há de demonstrar que os pequenos podem ainda sem grandes.